sábado, 20 de junho de 2009

A primeira Fazenda

Conforme combinado ao telefone, a Ursula nos buscou na estação de Elne, uma cidadezinha próxima a Perpignan. Era umas quatros da tarde e, durante os minutos que passamos esperando, nos perguntamos se estávamos no lugar certo, ainda não haviamos visto uma estação de trem tão minúscula na nossa viagem. A sensação era de deserto total, ausência de vida humana ao redor. Nem nos atrevemos andar pelos arredores, achávamos que só veríamos estrada.
Chegamos com aquelas nossas malas obcenas e eu tentei até fazer uma piada, mas era irreparável. No carro com a Ursula, rumo à Ferme Musicale, conversávamos pouco mas o clima era bem simpático. Olhamos pela janela. Nos vimos em um lugar completamente desconhecido, cheio de árvores e plantações - entre as quais passaríamos as próximas três semanas trabalhando. 
Assim que chegamos vimos uma casa bem simpática, instrumentos de percussão e cabaças decorando a varanda e um cachorro preto alegre vindo na nossa direção. Bugie (nem idéia de como se escreve) era o nome da cadela, muito carinhosa. 

Tiramos as malas do carro e não sabíamos para onde ir, mas a Ursula explicou que nós veriamos o nosso quarto depois, porque o seu marido, Vincent, estava descansando naquele momento e faríamos muito barulho dentro da casa se entrássemos no sótão agora. Só depois descobriríamos que de manhã teríamos que andar na ponta do pé, com passadas longas para evitar a madeira do chão do quarto de ranger e fazer um estardalhaço na casa. 
Antes de compreendermos direito a disposição das coisas naquele novo ambiente a anfitriã perguntou, sorridente, se gostaríamos de fazer alguma coisa ou se apenas descansaríamos naquele dia. 
Desorientados, pedimos para ela nos mostrar alguma coisa, já era estranho o suficiente estar parado em um lugar desconhecido. Deixamos as malas no chão de terra mesmo, em frente à casa..  
Nos afastando da casa, ela nos mostrou o banheiro e um pequeno vestiário com chuveiro que utilizaríamos, duas portas brancas de pvc lado a lado em uma construção isolada da casa.

Em menos de 5 minutos após a nossa chegada estávamos naquele lugar nada urbano já estávamos no meio dos pessegueiros tirando um monte de pêssegos ainda verdes dos galhos.
Tudo foi ensinado ali na prática, imitávamos o que ela fazia no início e depois fomos entendendo melhor, transpondo a barreira linguística, que estávamos criando espaço entre os pêssegos, que nasciam muito juntos. Além disso, era necessário retirá-los para que quando eles crescessem não quebrassem os galhos com o peso. Eles iriam dobrar de tamanho ainda. 
Nos primeiros dias não tivemos a menor noção do tamanho do lugar onde estávamos. Era engraçado olhar ao redor e às vezes não lembrar para onde ficava a casa. Não que a fazenda fosse grande - para as dimensões brasileiras, estávamos em um sitiozinho - mas porque estávamos totalmente fora do nosso ambiente. 
Passávamos umas horas fazendo uma atividade em um só lugar, então perdíamos toda a referência de tempo e espaço. Quando voltávamos a expandir o nosso olhar para o contexto em que estávamos inseridos ficávamos desorientados por um breve momento. Quando comparávamos com a nossa rotina no Brasil, era de gargalhar.

sábado, 13 de junho de 2009

Ruínas medievais em plena terça-feira

Tentamos todos acordar e sair cedo para uma pequena viagem a uma cidade medieval chamada Saint Guilhem le Désert, a uns 45 km de Montpellier.
Quando estávamos a caminho do carro do David, eis que surge a casa do Cisco no nosso caminho! Adorei a descoberta, Cisquinho você devia ir lá reclamar propriedade! Marinoca, avisa ao papai que ele tem uma "casa" em Montpellier rsrsrs...
Fomos todos então dando um jeito de cabermos no carro
 para duas pessoas, Guilherme e David na frente e eu e Anaïs atrás - ficou perfeito. Paramos em uma feira em uma área que o David descreveu como o Brooklin de Montpellier comprar pão e outros pertences para o nosso piquenique. Comprei umas cerejas, umas azeitonas, eles compraram um queijo de cabra frescoe um pão fantástico. 
A feira acontece embaixo de um aqueduto antigo e os seus arcos são enormes.
Seguimos viagem, eu e Anaïs rindo atrás, arrumando um cantinho pra deitar no meio das nossas tralhinhas. Música boa tocando no rádio e sem a menor idéia do lugar fantástico aonde estávamos indo - a estrada já estava valendo a pena. 
Para quem gostar do som no video e quiser seguir o estilo da viagem a rádio é de Paris e se chama Nova
Deve dar pra ouvir online. Entre as músicas que ouvimos havia uma ótima que não saiu da minha cabeça o resto do dia "When she wants plenty, she gets plenty..." A combinação música + estrada fez a minha cabeça e deu um sabor de novidade ao momento que a gente estava vivendo.
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Quando paramos contrariados em um estacionamento de 4 euros eu saí do carro e vi um rio verde. Verde. Meu primeiro pensamento foi "Nossa, o que fizeram com o rio..." seguido de "Tem anilina. Só pode!" Anaïs e Davis não pareciam surpresos então tentei não fazer muito estardalhaço, afinal, o rio era lindo. Mas eu achava que as águas só tinham essas cores no filme do Senhor dos Anéis na Nova Zelândia. Entrando na cidade fomos a um banheiro que nos levava à época em que as pessoas amarravam o cavalo antes de entrar na taberna. Eram umas portinholas antigas com tranca de ferro, bem rústicas.

Fomos avançando em direção ao centro da cidadezinha toda feita de pedras, madeira e ruas estreitas. Cada ângulo trazia novas texturas.

Muros, arcos, chão, janelinhas, lojas, eu olhava tudo cheia de curiosidade. Espiava dentro de portas, tirava fotos de sacadas baixas com flores - aquele lugar parecia feito só de fachadas, meio cenográfico. 
Mas realmente há gente vivendo dentro daquelas paredes de pedra.
Muitas fotos depois, paramos para um piquenique na praça da cidade (tão pequena, mas um charme!). 
Esse casal é o máximo, comemos tudo de bom naquele baquinho de pedra, do lado de uma árvore. Havia uma fonte ao lado e um café de extorquir turista do outro.
O astral estava lá em cima: cortávamos o pão na pedra mesmo (rs), comíamos queijo de cabra junto, a Anaïs tirou da sua mochila um super tupperware com uma salada de quinoa, pimentão e cenoura.
Comemos muito revezando o garfo. De sobremesa, as cerejas - nos fartamos.
Depois de um café, andamos mais um bocado para chegar perto de umas ruínas, nos distanciando da cidade. Foi um passeio perfeitinho, compacto. 

Visual incrível sem muito esforço. 
No caminho que levava a uma vista boa das ruínas vimos pela primeira vez arbustos de romarin, vulgo alecrim.
Passávamos a mão de leve e o cheiro ficava.
Vimos a cidade lá de cima e em volta um solo bem pedregoso, muitas montanhas pequenas. 
Antes de voltar ao carro descemos para ver o rio verde de perto.
Não consegui me acostumar com aquela cor, mas sentei para admirar. Foi bom parar um pouco e relaxar a mente.
Seguimos viagem,
 agora o nosso destino era o local de escalada que eles frequentavam. 
Paramos o carro em um lugar no meio do nada, só com chão de pedrinhas e mato em volta. Andamos por uma trilha pouco demarcada e na nossa frente surgiu um paredão de pedra muito alto.Eles começaram a tirar o material das mochilas e Guilherme fez a primeira escalada. 
Riu muito lá em cima, tentando escalar, subiu até a metade, mas então finalmente desceu dizendo "É... Acho que isso não é pra mim não, prefiro ficar aqui no chão."
Minha vez. Fui subindo, fazendo do jeito que eu podia e me diverti bastante. Consegui chegar até o final! É um pouco tenso e a sapatilha esmaga o pé, mas a vista de cima é bonita. Depois o casal escalou, revezando para fazer a segurança. O Laurent, primo do David, chegou logo depois e fez uma via difícil. Conversamos sobre viagens e ele contou um pouco sobre o planejamento que ele está cumprindo para em breve viajar durante um tempo grande - não lembro agora se era 1 ano ou se eram 3. O destino principal era a ásia, mas esqueci os detalhes.
Escureceu, então pegamos nossas coisas para voltar. Nos despedimos do Lauren, que foi na frente. Pela trilha, eu e Guilherme ficamos um pouco atrás e o meio daquele breu era fácil se perder, todas as moitas pareciam iguais.
Colocamos tudo no carro, demos uma alongada e de volta para a estrada, com percurso menor dessa vez. Comemos muito bem na casa e fomos dormir.
Nunca vou esquecer essa dia... Foi um passeio calmo e rico.

domingo, 7 de junho de 2009

Despedida de Paris, TGV e os 2 primeiros dias em Montpellier

Nosso último dia em Paris. Acordamos bem cedo e o François nos levou ao metrô. Esse foi o momento mais tenso da viagem porque eu me enrolei com o horário e saí da casa deles sem saber se a minha carteira estava comigo. Um horror! Eu arrastava a mala que nem uma louca pela rua, nervosa porque tínhamos que pegar o metrô, depois trocar de metrô para a Gare de Lyon com as malas megapesadas. Me arrependi de ter trazido tanta coisa. O triste é que eu já sabia que me arrependeria disso.
Uma vez encontrada a carteira - já fora da zona de perigo de perder o TGV -, iniciei mentalmente a primeira de uma série de listas mentais dos itens de viagem realmente imprescindíveis (o que me levaria, semanas depois, à elaboração da primeira mala pequena da minha vida).
Se o François não tivesse nos levado pelo caminho mais rápido até a linha do metrô que precisávamos pegar para chegar à Gare de Lyon não garanto que teríamos chegado a tempo para pegar o TGV. Correria danada, ao François devemos o nosso "merci beaucoup" e esperamos o casal no Rio de Janeiro um dia.
A caminho de Montpellier vimos paisagens lindas pela janela, foi ótimo passar aquelas horas no trem e ter a sensação de estar atravessando a França.Claro que não podia faltar piquenique no trem, ainda mais com o bolo de chocolate da Candy na bolsa de comida que preparamos antes de sair.
Os morros, campos, moinhos iam passando e todas as cores da primavera borravam a janela. Eu sorvia aquelas imagens satisfeita - o deslocamento de trem era um dos espetáculos da viagem que eu aguardava ansiosamente. Um momento relaxante, quase terapêutico. Entrei em uma outra frequência no balanço daquele trem que voava leve sobre os trilhos. Ótima experiência! Ninguém sentou perto da gente, então tivemos muito espaço a viagem inteira e o banheiro era decente. Chegamos uns minutinhos atrasados e descobri, ligando para a Anaïs do orelhão da Gare, que ela iria nos buscar de carro!!! Uma beleza! Com a mala enorme que estávamos foi um grande adianto. As malas foram no carro com o David, namorado da Anaïs, e nós três fomos andando para a casa dela.
Rolou aquele momento euforia enquanto andávamos: eu contava tudo o que havia acontecido em Paris, ela dizia como estava a vida dela desde que ela voltou de viagem do Brasil (depois de ficar conosco lá em casa). 
Passando pela Place de la Comedie (atração turística principal de cidade) estava rolando um jogo de volei de praia feminino no meio de um tempo horrível com frio e chuva... Paramos três segundos e no meio da euforia de estar em um lugar totalmente novo dei uns gritos de torcida porque coincidentemente a partida era BrasilXFrança!
Continuando a caminhada, contamos da sensação de correria que havia ficado dos dias em Paris e dissemos que queríamos ficar em um outro ritmo lá em Montpellier.
A casa da Anaïs é ampla, cheia de charme com uma decoração toda especialmente informal que é a cara dela. A Anaïs tem uma energia muito positiva, é ótima anfitriã e nos deixou completamente à vontade.Depois de comer uma comidinha bem bacana que foi uma grande novidade para mim, tomamos um banho e nos sentimos renovados. Fomos dar um passeio para ver a cidade.
Montpellier é uma cidade universitária com construções antigas muito bonitas. Me lembrou um pouco Ouro Preto aquelas ruelas estreitas com curvas, subidas e descidas. Sentamos para tomar uma cerveja com uns amigos deles em um bar ao ar livre com uma população jovem reinante. Guilherme experimentou hidromel - praticamente um viking!
No dia seguinte, levantamos com calma e fomos dar um passeio com as bicicletas que a Anaïs emprestou para a gente.  Fomos a uma parte da cidade toda diferentona, construídas recentemente, comemos quebab na Place de la Comedie, tomamos uma cherry coke horrível - fiz a promessa de não consumir mais nada que contivesse xarope de cereja. Blé.
No mercado, compramos algumas coisinhas e voltamos. Passamos em um cibercafé e ficamos 2 horas para conseguir postar no blog (é irritante como as fotos podem destruir a leitura do texto aqui! Incrível como perdemos tempo tentando colocar o layout de uma forma mais decente...) Cozinhamos uma massa com abobrinha e champignon, havia mais dois amigos deles para jantar e tivemos um papo misturado com francês, inglês, português e espanhol.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Paredes vazias

Era um sábado e acordamos com calma tomamos café arrumamos as nossas coisas que haviam sido lavadas na máquina.  Algumas peças foram para a secadora, mas é incrível como um simples varal dentro de casa seca as roupas em algumas horas neste clima. A Candy, sempre tão gentil, ajudava a gente a cada etapa, chegou até a estender umas peças depois quando já havíamos saído para o Louvre. Passamos em uma padaria um pouco antes do horário do almoço, compramos 2 sanduíches, 1 schweps de frutas cítricas e 2 sobremesas (1 torta com creme maravilhosa e 1 pão de passas que acabamos não comendo). No amplo pátio do Louvre, sentamos junto ao chafariz da pirâmide e fizemos nosso piquenique. Olhando através do vidro da pirâmide, que estava bem do nosso lado, víamos as pessoas lá embaixo, andando pelo hall interno do Louvre. Dentro de poucos minutos estariamos lá dentro, procurando o pavilhão que correspondia ao início do roteiro dos pontos mais importantes que eu havia xerocado de uma das minhas revistas de viagem. Compramos os tickets de entrada, que eram apresentados na entrada dos pavilhões. Depois de subir e descer poucos lances já não tinha a menor noção de onde estava, mesmo olhando para o outro mapa que peguei na entrada. Tentei entender os diversos níveis de um mesmo pavilhão que mostrava o mapa, então, quando pensei estar localizada, fui confirmar com um funcionário e me descobri perdida. O Japa tomou a frente e passou o dia me guiando pelas salas. Arrumei um personal-Louvre-guide! Guilherme sabia direitinho para onde ir e depois de ver as obras olhava pra ele e dizia toda satisfeita "Pra onde agora?! Obaaa!" Cada sala que entrávamos era impressionante pela arquitetura, o pé direito alto, sancas, paredes trabalhadas, até verdadeiras obras de arte no teto. Já havia ouvido falar da dimensão do museu, que seria impossível ver tudo em um só dia, mas que o teto e as paredes tomariam o meu tempo lá dentro eu não sabia. Era certo que não pretendíamos ver tudo, já estávamos com o planejamento fechado e não sentimos a menor necessidade de sair do tal roteiro, que, aliado ao mapa que pegamos lá dentro, descrevia uma visita maravilhosa, com diversas obras famosas. Novamente minha nuvem negra do azar se manifestou. Pelo menos uns 4 quadros famosos haviam sido retirado para manutenção ou pesquisa, não sei bem. O fato é que a cada momento que chegávamos à sala em que o quadro estaria encontrávamos a parede vazia, o nome do quadro embaixo e um aviso ao lado dizendo que ele havia sido retirado por algum motivo. Andávamos quilômetros para chegar até o quadro e nada. Era irritante. Acabamos saindo do Louvre decepcionados. Mas nos divertimos.  Tiramos foto da multidão que foi ver a Mona Lisa - o tanto de gente acaba virando o espetáculo principal e o quadrinho pequenino da La Gioconda fica meio ofuscado de frente para a folia exuberante de flashes. Esse é o metro quadrado mais deselegante de Paris, as pessoas ficam sideradas para arrumar um espaço lá na frente. Mas, no fim, acho que aqueles que tem um pouquinho de determinação conseguem chegar de frente para a obra depois de esperar uns cinco minutinhos pacientemente em uma espécie de fila onde se deve ficar esperto para qualquer brecha surgida.
Muitos quadros e esculturas depois estávamos com dor nos pés e pernas."Vamos embora?" o Japa falou. Desde o princípio da viagem tinhamos um acordo silencioso de não forçar nenhuma barra para "aproveitar a viagem", afinal, lazer é pra ser feito relaxando... Bom, nem sempre era possível, eu reconheço que fiquei extremamente ansiosa em Paris, mas, enfim, a essa altura nossa estada já começava a tomar uma forma de viagem e por isso os ânimos estavam mais calmos.
Mas quando pensávamos que íamos embora começamos a ver a parte do Egito. Não foi uma coisa muito programada, tudo ia surgindo à nossa frente e a gente ia sempre em frente, que nem gado. Esculturas de farós, múmias, sarcófagos e eu, impressionada mas exausta, tirava 3 fotos a cada 5 metros. No meu íntimo, a estratégia era tirar fotos para ver todo aquele espetáculo depois, sentada na frente do computador, porque àquela altura a minha mente não conseguia mais processar tantas imagens, tantas informações... Penso que acabamos saindo umas 2 horas depois.
À noite, mais um jantar memorável - a Candy havia feito crepes. Eles tinham uma pequena chapa que eles colocaram ao lado da mesa e o jantar funcionava da seguinte forma: cada um pegava a sua massa de crepe e escolhia o que iria colocar dentro, depois dobrava e colocava em cima da chapa. Em dois minutinhos já estava comendo o crepe. Comemos muito queijo de cabra, gruyère, abobrinha grelhada, champignon, humm... Depois vieram os crepes doces e eu me refastelei de crepe de nutella, rs. Deixamos tudo pronto para a viagem na manhà seguinte, eu estava muito animada para andar de TGV, rumo a Montpellier!

domingo, 31 de maio de 2009

meu post

Olá!!! Neste dia vocês saberam a minha versão dos acontecimentos! Bem, acordamos cedo... na noite anterior combinamos com o François e a Candy que iríamos ao Promenade Plante pela manhã já que eles iam sair para jogar golf e nos encontraríamos novamente na casa meio dia para pegar uma carona até Versailles. Assim foi! Tomamos café com eles e saímos. Na saída de casa passamos em frente ao L'Escargot, um restaurante especializado em escargot. Não comemos escargot. Ainda! Promenade Plante é uma espécie de parque que foi construido no antigo aqueduto, assim mais um "caminho" do que um parque visto que é estreito, mais ou menos 10 metros em média, e uns 3 quilômetros de percurso. Pegamos um trem até o sudeste de paris... não lembro o nome da estação... e entramos no caminho que era todo arborizado, bem legal, ótimo lugar para correr! Acho que de minuto em minuto passava alguém correndo. Acho que era feriado nesse dia. O dia tava nublado e frio e foi maneiro dar uma caminhada. Andamos em direção ao centro de Paris e a medida que avançávamos o caminho subia mais formando uma espécie de passarela por cima das ruas. No início, a parte baixa, passávamos por túneis que devia ser a parte do aqueduto e não se ouvia nenhum barulho de cidade, carros, somente os passáros e o silêncio da mata... Maneiro pensar que eles aproveitam o espaço para o bem estar das pessoas. Transformaram um esgoto num parque! Mandaram bem. Bem, andamos, Cacá tirou fotos, andamos mais, Cacá tirou mais fotos, andamos... fomos até o final (ou início) do "parque", de lá fomos ao metro mais próximo para voltar pra casa.
No metrô tinha um grupo de música russa, eu acho... bem maneiro o som! Achei que tínhamos um video... Antes de voltar pra casa, compramos um bordeaux, uns sanduíches de atum e frango, cookies e uma tortinha com passas para nosso piquenique em Versailles, que é outra coisa muito legal dos franceses, fazer piquenique. Come-se bem e gasta-se pouco, hehehe.



Encontramos com eles na porta de casa e de lá seguimos direto. Cacá foi na frente e fez um video maneiro de Paris com explicações da Candy. Ela deixou a gente na frente do palácio e marcamos de voltar com ela às 18h. Pagamos 6 euros para entrar no jardim! Tinha um tal de show das águas com música... mas o "show" era apenas alguns chafarizes e a música não era ao vivo e ficava repetindo direto!


O jardim é absurdo de grande! Ficávamos imaginando as pessoas daquela época naquele jardim... a paisagem dos lagos é impressionante, me remete a um lugar divino... vimos pessoas na beira do lago e decidimos ir pra lá comer as paradas que compramos. Estendemos a canga, abrimos o vinho, comemos e nos divertimos com os paraibas andando de barco no lago, inclusive um botafoguense muito esperto... ficamos algumas horas ali, relaxando e curtindo o sol que às vezes aparecia. Então Cacá deu a idéia de alugarmos umas bicicletas, a princípio queríamos alugar o carrinho de golf, mas além de caro era sem graça. Nos divertimos com as bicicletas! Fizemos altos filmes! Após as bicicletas ficamos rondando um pouco mais e depois voltamos pra casa. A noite, François e Candy nos levaram a um restaurante baratinho que eles costumam ir. Bem legal o lugar com um clima meio underground. Cacá pediu um bife, que veio cru e eu pedi um Tartare (acho... não lembro qual era o nome direito), um prato com carne moída crua e uns temperos, bem gostoso, parecia carpaccio. Então fomos dormir, tinhámos o Louvre no dia seguinte!








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quarta-feira, 27 de maio de 2009

"Minha neguinha..!"

Hoje foi o dia em que tiramos muitas fotos, nenhuma da minha trancinha, foi mal... Trezentos e cinquenta e três para ser exata. Estamos usando um modo da camera que tira fotos em sequencia durante todo o tempo em que se pressiona o botão. Assim temos muitas fotos quase iguais, mas também há outras em que apenas uma sai boa. Acordamos, tomamos café com a Candy e o François.
Desfiz a trança e a Renata Sorrah estava olhando pra mim no espelho.
Saímos umas 9 horas, o François estava indo trabalhar, de terno, e nos mostrou onde ficava o metrô mais próximo. Eu, com a minha cabeleira frisada, estava engraçadíssima - mas, no fim das contas, em Paris, eu era só mais uma no meio da multidão de gente estranha.
Fomos em direção ao museu Rodin, estava um dia lindo. Esse é um dos lugares preferidos do Nelson - grande amigo da minha mãe e de toda a minha família - então segui a indicação dele de ir conhecer o museu em um dia de sol. Nos demos conta de que não comemos muito, paramos para um rápido croque-monsieur.
Andamos sem pressa vendo as estátuas que ficam no exterior do museu. Realmente o jardim é uma delícia, um charme. Havia um casal de uns 70 anos fazendo tai chi bem no fundo do jardim, num lugar cheio de sombras e com umas espreguiçadeiras, dava vontade de ficar lá o dia inteiro. Tudo em excelente estado, muito bem cuidado, grama aparadinha. Guilherme me apressava, dizendo que tínhamos muita coisa para fazer.
Pois é. Nos demos conta de que tínhamos só 2 dias para o restante: Louvre, passeio de barco à noite, Palácio de Versailles, Pompidou, vários jardins, Promenade Planté, mercado de pulgas, Arco do Triunfo de novo, Place des Vosges etc. Visitar Paris pela primeira vez é uma lista de compromissos! Você começa a pensar que já está lá e não pode deixar de ver a coisa tal, fazer não-sei-o-quê...
Meio estressante, eu pensava "Não quero isso pra mim... Estou em Paris... Quero relaxar!" Me resignei e comecei a fazer uma lista mental de prioridades. Não estava fácil.
No jardim, com as esculturas eu e Guilherme fazíamos poses e nos divertiamos inventando um contexto para cada uma.













Entramos no museu, vimos o pensador, dentro do museu e Guilherme fazia as posições mais estranhas. "É o reflexo! Muita luz!" E o chão rangia enquanto víamos algumas dezenas de esculturas lindas.
Bateu a fome, fomos para a Rue du Bac e comemos em uma padaria maravilhosa, depois descobriríamos que ela fazia parte de uma rede de padarias, de repente franquias. Fomos atendidos, eu pedia as coisas hesitando em francês, torcendo para não encontrar nenhuma surpresa desagradável dentro do recheio dos sanduíches.

Depois que fizemos todo o diálogo necessário o atendente, simpático, perguntou de onde éramos. Brasil. Ah, vocês podem falar em português se quiserem! - o cara, com uma cara de francês danada, falava um pouco de português. Bom, infelizmente para mim nessa hora restava apenas pagar e dizer tchau. Compramos sanduíches, doces, bolinhos maravilhosos. Na sacola havia financiers (bolinhos) e tuilles almondes (biscoitinhos fininhos com amêndoas). hmmmm

Saímos de lá rumo às Catacombes, um lugar cheio de ossos de pessoas que morreram em diferentes anos e locais de Paris. Não lembro direito, acho que esses ossos foram remanejados de cemitérios inteiros que foram descobertos. O fato é que eles foram arrumados em túneis embaixo da cidade de um jeito meio artístico, formando padrões. Uma coisa, digamos, peculiar. Meio sinistro. Nos últimos dias eu havia pensado sozinha em desistir de ir, mas quando lancei a hipótese vagamente ao Japa ele disse logo que não deixariamos de ir. Fiquei na minha.
Então estávamos lá descendo dezenas de degraus. Em cima, o maior sol, calor, embaixo, escuro, frio e úmido, com goteiras no teto. Andamos muito até chegar nas primeiras ossadas, os túneis são bem legais e eu que estava com medo do cheiro lá de baixo, achei que foi um passeio bem tranquilo, apesar de bizarro.
Passamos no Trocadero no final do dia para ver a vista, tirar fotos, coisa e tal.
Então percebemos que havia algo estranho acontecendo... A parte bem de frente para a torre estava interditado por uns policiais (tem um na foto, bem atras da gente). Vimos la embaixo bombeiros e dois rapazes, um deles de roller, aqueles patins. Tudo indicava que alguém havia caído lá de cima.
O cansaço bateu e encontramos um banquinho num lugar privilegiado...
Quando voltamos, no horário que marcamos com a Candy e o François, descobrimos que ele próprio iria cozinhar aquela noite. Ficamos bem animados de saber que ele faria um prato típico da França. Fomos com ele no açougue comprar a linguiça, cada experiência com os nossos anfitriões era para nós uma descoberta toda especial. O François, muito atencioso, sempre falava alguma coisa divertida e explicava tudo. Muitas vezes ele e Guilherme descobriam algum assunto juntos e eu ficava só olhando, toda feliz de ver o Japa cheio de conversa (em inglês!!). no açougue eu achei tudo meio estranho, vi umas linguiças pretas gordas... Uns pedaços de carne que pareciam estar ali há semanas. Fiquei meio preocupada, mas logo o François apontou para a linguiça do prato que ele ia fazer, esperando a gente dar o OK. Tranquilo. Comemos um Aligot, tipo um purê de batatas com queijo misturado. Não sei se era gruyére. Um pedaço de uma linguiça deliciosa acompanhando. O Aligot, quando ainda na panela, ficava num ponto que, levantando a colher de pau cheia da mistura bem no alto, ela não se desligava do restante da massa dentro da panela. Muito bonito de ver. De comer então.... O Japa se amarrou e repetiu umas duas vezes. Jantando, falamos de tudo que ainda queriamos ver em Paris para nossos anfitriões. Mas depois que ouvi a Candy falar que algumas coisas deviam ficar para a próxima vez, me acalmei. Sim, claro, haverá uma próxima vez. Tinha esquecido que podia isso. A Candy disse que iria a Versailles sábado e se quiséssemos poderia nos dar uma carona de carro! Achei o máximo! No meio desse rompante de clareza e organização, fizemos contas e vimos que já haviamos gastado demais (comíamos o dinheiro todo). A maioria das nossas roupas estava suja, pedimos para a Candy para usarmos a máquina de lavar dela no dia seguinte. Diversos assuntos nesse jantar. Bebíamos um vinho que eu e Guilherme compramos e que combinava com o prato. Tudo foi perfeito, a companhia deste casal é simplesmente maravilhosa, eles são divertidíssimos, sentimos que demos uma sorte incrível de conhecê-los. Estar hospedado foi infinitamente melhor do que estar em um hotel. Um assunto recorrentes em ambos os couches eram histórias engraçadas de americanos. O François contou uma sobre uns conhecidos que ficaram deslumbrados com uma igreja que havia sido construída antes da "America" ter sido descoberta. O casal francês ficou sem graça de dizer o tanto de história que já havia acontecido no continente deles antes disso e resolveu nem comentar nada das outras igrejas bem mais antigas do que aquela. Hilário.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Entre couches

Acordamos tarde de novo, demorávamos a levantar e ficamos envolvidos com toda a dinâmica da casa. Hoje era dia de trocar de couch, então não teríamos tanto tempo quanto ontem. Primeiro liguei para a Candy, que confirmou nossa estada lá, fiquei muito animada. Então tínhamos que encontrar um adaptador para carregar o computador, que estava sem bateria.
Foi um saco, fomos até a estação da Republique para tentar encontrar uma loja e quando chegamos na tal Darty, uma loja que tinha tudo de eletrônico, nada. Ficamos meio sem saber o que fazer. Não encontramos o adaptador, mas encontramos a Pizzaria do Renato (hahahahaha), descobrimos dentro do metrô que aqui na europa também existem aqueles caras que tocam flautinha (eu acho que é playback).

Fomos à Sacre coeur. Bem legal, mas não é tão bonita por dentro quanto a Notre Dame. A vista é bem bacana, vimos o Pompidou de lá, tiramos muitas fotos e fomos explorar as ruas de trás, dica do Sigmund (couchsurfer que conhecemos na casa da Maria). Eu dava 3 passos e queria tirar uma foto. Muito lindinho lá. Encontramos um lugar para comer onde parecia que todo mundo se conhecia. Entrava gente e saía do bistrô como em uma casa. A galera botava a cabeça pra dentro, gritava alguma coisa, acenava para um outro, todos riam e depois iam embora.
O garçom foi muito simpático. Comemos salada de frango com várias coisas dentro e um talharim com cordeiro. Guilherme, só surpreendendo! Comia tudo com o maior despreendimento. Eu examinava mais, a essa altura eu tinha medo de tudo que eu comia. Comia uns pedaços de frango, olhava, comia um pouco de ovo cozido, pegava um pouco do macarrão do Japa... e assim fiquei satisfeita. Mas fui ficando mais de saco cheio de não poder comer de tudo, bateu um mau humor.
Arrumamos todas as coisas para partir e nos despedimos da Maria e da Catarina, uma amiga dela toda simpática que estava de trança embutida, e fez uma em mim também. A transferência de couch foi mais uma vez sofrida para o Japa e o choque entre os estilos de vida das famílias dos nossos 2 couches de Paris foi impressionante.
Chegamos na casa da Candy e do François, um casal da nossa idade, recém-casados e sem filhos. Achamos tudo lindo e eles contaram sobre como eles mesmos decoraram o apê de dois quartos. Estabelecemos o inglês como forma de comunicação. Às vezes faltava uma palavra e tentávamos em português, tentando a sorte que no francês fosse similar e foi perfeito! Tinhamos um quarto só pra gente com cama de casal e tudo. Ficamos eufóricos.
Comemos uma pizza maravilhosa feita pela Candy (ela disse que no mercado se compra a massa crua pronta para abrir, em bolinhas. Nos refastelamos de pizza de abobrinha, presunto, queijo de cabra, hummm! Orange, a cachorrinha de 6 anos deles estava sempre ligada em para onde a comida estava se deslocando e colocava a cabecinha no colo da gente, olhinhos tristes pedindo comida. Assunto não faltava, foi uma noite muito animada. Fui dormir de trancinha.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fabuloso D'orsay

Estava muito frio à noite, dormimos juntinhos sem nos mexer muito. Por onde andará a primavera...? A manhã das pobres mães era dura. As crianças acordavam cedo, chorando. A filha menor da Maria estava com os dentes nascendo e tinha sempre algo a caminho da boca. Eu e Guilherme tentávamos dormir, exaustos, no safá da sala. Acordei me sentindo muito melhor, talvez o chá de camomila aliado àquela atmosfera estrogenicamente maternal acalmaram o meu intestino.
A Maria foi muito atenciosa conosco. Foi muito bom estar em um ambiente informal, bem família. Acabamos levantando tarde mas conseguimos entrar no Panthéon desta vez. Lá dentro vimos como foi comprovada a rotação da Terra, através de um pêndulo preso em uma cúpula enorme. Esse foi mais um lugar de que gostamos bastante. Descobrimos que ele foi construído em homenagem à santa Geneviève, padroeira da cidade. Reza a lenda que o poder das preces a essa santa poderosa impediu a invasão de Átila, rei dos hunos.

Depois de nos perdermos e andarmos um grande "S" para chegar em uma rua bem perto, almoçamos em um restaurante na Rue Mouffertard. Eu comi sopa de legumes felicíssima. Estava começando a ficar bem rabugenta por não poder comer todas as coisas gostosas, fiquei louca quando vi uma barraca com um crepe de nutela. Acho que eu consigo sentir o cheiro até agora, se eu me concentrar um pouco. Guilherme tomou cerveja no almoço - muitas situações aqui passavam a revelar um outro Guilherme. Ele escolheu as opções de entrada, prato principal e sobremesa sozinho, não pediu ajuda. Olhando calada, eu achava que ele tinha tanto critério quanto uma roleta russa. Mas o rapaz leva jeito, gostei de ver ele provando de tudo. Estou babando com tudo que ele faz, a forma como ele se comunica bem e entende o ingles - nossa língua oficial no couch.
Adorei a rua, cheia de opções para se comer bem sem gastar uma fortuna. Acho que pagamos 9 euros cada pelo almoço. No total a conta deu uns 24 euros acho. Pegamos mais uma vez o metrô e atravessamos uma ponte sobre o Sena em direção ao museu D'orsay. Uma grande fila do lado de fora, rimos de várias figuras. Além de bonito por fora, o museu é bem legal por dentro e tiramos várias fotos de quadros impressionantes. Muito bom poder ver bem de pertinho, depois lá de longe, quantas vezes queríamos. Guilherme adorou um chamado "Raboteurs de parquet" e nós dois conversamos, com o desprendimento dos leigos, sobre a luz nesta obra. Muitos quadros impressionantes...









Rimos e nos surpreendemos muito com alguns Van Goghs, ficamos com as pernas duras de tanto andar, descansamos, andamos mais e o museu fechou. Já estávamos cansados demais, às vezes rolava uma baixa no bom humor. Não sabíamos se comíamos algo em um restaurante ou se voltávamos para o couch. Decidimos de última hora dar uma passada no Arco do triunfo. Chegando lá havia uma banda militar tocando, Guilherme queria que eles mudassem a música um pouco: "Toca Rauul!!". Pouco depois já estávamos correndo para pegar o Monoprix aberto. Comprei uns yakults pra mim, sentia que estava começando a melhorar. Jantamos junto com todos lá na casa da Maria e do Julius, conversamos bastante e ouvimos uma verdadeira palestra sobre o tema "o que é Parir". Muito instrutiva a história do parto da primeira filha contada pelo Julius. Ele tem um senso de humor bacana, contava a de um jeito tranquilo vários percalços engraçados da vinda da Simone ao mundo. As duas mães eram ambas contra cesariana, então as duas tinham histórias fantásticas sobre como foi ficar em trabalho de parto e tudo o mais. Acho que eu e Guilherme não falamos uma palavra, a gente nem se olhava muito.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Primeiro couch

Acordamos e fomos para o nosso primeiro couch. No princípio não conseguimos telefonar para a Maria e o Julius, nossos anfitriões, mas a recepcionista nos ajudou com os números que havíamos anotado, muito confusos por conter algarismo sobrando (o 1 é acrescentado na frente quando é o caso de ligarmos do Brasil). Nos despedimos da rua "crochê", a rua perto do hotel que usávamos como referência e nunca lembrávamos o nome - "tronchet" acho. Ficamos muito felizes depois que fizemos o passe de metrô de 22 euros "não-sei-o-quê Navigo" (susbstituiu a Carte Orange, que não existe mais). Alforria! Podemos andar de metrô o quanto quisermos agora! Paris é mesmo um lugar impressionante, o metrô tem várias camadas e quando você pensa que já desceu todas as escadas de metrô com uma mala megapesada, há sempre uma linha ainda mais proofunda com mais escadas para se descer.
Fiquei me sentindo supermal porque só o Japa aguentava carregar as malas, pra mim já estava difícil arrastando com as rodinhas... Então quando chegamos na ruazinha bem simpática da casa da Maria, havia 6 lances de escada pra subir. Macabro. Guilherme ralou muito esse dia. Chegamos e fomos recebidos pelo Julius. Entrando, uma menininha loirinha linda de uns 2 anos chamada Simone me olhava com um jeito bem desconfiado e, mais atrás, sua irmã engatinhava em direção à porta de entrada. Não sabia o que fazer, o Julius foi ajudar o Japa e acabei pegando a bebezinha, Eva Christina, no colo para ter espaço para entrar no apartamento de 2 quartos, sala e cozinha que cabia apenas uma pessoa - como a Maria descrevia, cheia de senso de humor. Nos apresentamos e contei um pouco do que havia sido a nossa aventura em Paris desde então. Falávamos inglês. A Maria me deu um pouco de chá - sem açúcar - e umas torradas, o que foi ótimo para me reestabelecer. Conhecemos Ulisses, uma gata que foi descoberta como fêmea após o seu batismo. Ela logo chegou para se apresentar a nós, que éramos carne fresca no pedaço e deitou no meu colo. Que saudade da Valentina! Maria nos disse que poderíamos voltar a hora que quisessemos, que em Paris não havia perigo qualquer. Combinamos que dariamos um passeio e voltaríamos para o jantar, trazendo frango. Fomos ao Panteon, mas estava tarde para entrar. Tiramos umas fotos e decidimos ir à Notre Dame, o dia estava bonito. Aprendemos a andar de metrô rapidinho. É bem fácil, mas há diversos túneis uma vez que você está embaixo da cidade. Tudo muito bem sinalizado. A catedral é linda demais. Há muitos detalhes em seus arcos, Guilherme desenvolveu uma súbita fixação pelas gárgulas, aquelas estátuas de cabeça de monstros e demônios que ficam no topo. Quase caímos para trás quando entramos. Nunca tinha vista nada tão majestoso, tão imponente. Foi chocante, a dimensão daquilo é avassaladora. Eu acendi até umas velas, fiz uma oferenda de 2 euros por elas e mentalizei ficar boa de vez dessa mandinga dessa intoxicação alimentar.
Já disse que a Notre Dame é colossal? Linda? Fui pega de surpresa, não pensava que iria gostar tanto de uma igreja, com tantas outras coisas interessantes nessa cidade. Já pensava em voltar um outro dia.
Fizemos umas compras rápidas e voltamos para o couch. Guilherme já estava cansado, pois passou o dia carregando malas. Conhecemos a outra família de couchsurfers, da Dinamarca. um casal com um bebê, já muito entrosado com os anfitriões. Falamos um pouco sobre nossos respectivos países, sobre nossas viagens, eles contaram um pouco sobre o que faziam. Um jantar é sempre uma boa ocasião para um papo descontraído, aos poucos aprendíamos as diferenças entre a rotina diária de 2 famílias pequenas com bebês e um casal sem filhos.





segunda-feira, 11 de maio de 2009

Improvisando em Paris

Feliz dia das mães para as nossas queridas mãezinhas!!!

Foi triste chegar em Paris e ficar trancada no quarto, sem forças e com febre por causa da intoxicação alimentar. O fato de estar perdendo tempo em euro estava começando a me incomodar. Nos dois primeiros dias eu fiquei descansando numa boa - dormi o tempo todo por conta da febre - não tinha escolha mesmo e aproveitava para me preparar espiritualmente para a canseira que estava por vir, mas no terceiro dia o papo mudou. Pudemos acordar razoavelmente cedo e fomos andar um pouco. Como ainda era domingo, não pudemos fazer a Carte Orange, que só começa na segunda-feira. Então acabamos gastando uma graninha extra de metrô, porque eu não estava em condições de bancar a andarilha. O dia 3 era o dia de ver o Louvre no meu parco planejamento. Nem entramos no museu. Eu havia planejado isso porque soube através de umas dicas do couchsurfing que no primeiro domingo de cada mês o Louvre tinha entrada gratuita. Agora imagina um dos museus mais famosos do mundo em dia grátis. Pior do que a fila da barca em véspera de feriado, amigo. Imaginamos que, diante daquele mundaréu, de repente a Mona Lisa teria até se ausentado da sua moldura.
(veja o video no fim do post)
Conhecemos o Louvre só por fora, lindo. Rimos muito com as estátuas dos grandes intelectuais no topo dos pavilhões e tivemos um breve diálogo com Descartes. Sabe aquele chute gostoso no planejamento? Foi o que fizemos. Saímos sem rumo e acabamos nos divertindo horrores em uma feira que a tia do Japa havia indicado. Valeu, Beth! Vimos muita comida, flores, cogumelos, legumes, hortaliças, caracóis, boinas, paellas, pessoas esquisitas, pães diversos, coisas de porco para pôr no pão, doces, croissants, roupas bizarras, grãos, temperos, vendedores engraçados... A fome já começava a bater, então eu comprei uma boina para me proteger melhor do frio, Guilherme comprou uns pistaches (ele já estava começando a se revelar um grande gourmand e glutão neste ponto) e lá fomos mais uma vez sem destino. Eis que encontramos então ela - a torre! Sentamos embaixo de uma árvore linda e fizemos nosso primeiro pic nic com a torre eiffel bem grande em cima da gente. Um frio tremendo. Depois de tentar relaxar tremendo de frio, voltamos a andar e encontramos um café em que nos cobraram 5 euros por um capuccino. Eu estava muito feliz pra isso me abalar, eu estava podendo andar e ver a cidade! Pelo menos havia aquecedores na varanda, ficamos até com calor. Seguimos andando e vimos (segundo Guilherme, eu já não sei mais o que era) o Musée de l'armée (também não sei se é assim que se escreve, mas se eu parar pra procurar esse post não sai nunca).
Voltamos de metrô até a estação Madeleine, que era a mais perto do hotel e ficamos circulando por lá, entramos na igreja da Madeleine, legalzinha, mas achei mais bonita por fora. Vimos lá dentro um cara novo com uma roupa bem normal que assumi que fosse o padre, porque todo mundo ia falar com ele. Todo mundo parecia estar em casa, tinha até uma moça com a bota da Shee-ra (uma bota branca e rosa hilária) que era a mulher do padre e parecia uma socialite. Já era nove da noite, eu estava exausta e nada de anoitecer. Ficamos com fome de novo. Eu estava cansada e indecisa. Não sei como arrumei forças para andar tanto para ver tantos lugares com cardápios diferentes. No meio disso encontramos uma rua com a Sacre coeur no topo, toda iluminada. Aconteceu então que eu achei que estava começando a me sentir melhor e fiz a besteira de sair da dieta iogurte- maçã-queijo branco. Não deu outra, fiquei ruim de novo. Foi horrível. E por causa de uma pizza - o que me deu mais raiva.

video

Chuta que é macumba!

De volta ao quarto, passei a primeira noite em Paris com febre e muita fraqueza. Dormimos umas 20 horas de sono. O dia seguinte foi nulo para mim, só dormia e até mastigar me cansava. Eu me alimentava de maçã, pão duro, queijo branco, yakult e iogurte Activia de cereja. O Japa deu uma volta à tarde e me contou de uma outra cidade lá fora, com lojas abertas e gente pra caramba na rua. Ele foi a um restaurante que servia lámen - tipo um miojo com um caldo sinistrão, uma comida que ele havia provado no Japão e que eu havia anotado a indicação. Ele comeu um com carne moída e disse que era bom, tinha alga dentro e mais uns troços. Era meio picante. Bom isso é o Japa descrevendo as coisas, do jeito dele.
De noite, quando me senti mais forte, fomos dar uma volta. Comi minha primeira refeição decente em Paris. O incrível daqui é que a cada quarteirão brota uma obra arquitetônica gigantesca, linda. A gente fica se perguntando o que é aquilo, mas logo tem outra adiante e então continua andando e fica sem saber mesmo. Pelo menos é isso que uma pessoa doente faz em Paris, se parar pra ver, olha para cima, fica abobalhado um tempão, esquece de que rua veio e termina perdido.
Fomos ao Bistro Romain - indicação da moça simpática do hotel - perto da place de l'opera. Tentei comer o máximo daquele macarrão com molho de tomate pra ficar mais forte, mas foi a entrada que me deixou feliz (hehehe): berinjela, pimentão vermelho e abobrinha grelhados no azeite - não sei como uns legumes grelhados podem ficar tão gostosos, quando faço lá em casa não é a mesma coisa...



















Resumindo: não fizemos praticamente nada, foi bem sem-graça o dia. Voltamos para o hotel e dormimos de novo. O jet lag foi intenso.

domingo, 3 de maio de 2009

Au Revoir, Rio!

Partimos no dia 30 de abril. Arrumar as malas foi uma tarefa árdua, confesso que auxílio da Valentina foi providencial. Tente encontrá-la na foto.
Nos despedimos do Rio decolando diante de um pôr-do-sol comovente (será que depois das mudança das regras ortográficas o "pôr-do-sol" continua o mesmo?). Aquele foi um momento especial nosso, subiamos no ar vendo o sol todo espalhado no céu - não tinhamos a menor idéia do que aconteceria em seguida.
Duas coisas influenciaram a nossa chegada trôpega à cidade luz: uma salada com camarão e uma poltrona sem áudio. Sobre a salada de camarão que comemos de entrada no avião eu falo outro dia, o fato é que Japa foi premiado com uma poltrona com a saída de áudio que não funcionava, então não podia ouvir os filmes que passavam na telinha à sua frente.Isso não era tudo. O assento do Japa - que era daqueles no meio (o meu era na janela) - era realmente abençoado: o passageiro atrás dele era um gringo que não parava de falar os ráshmur shtáin litzvish da língua dele e também parecia não ter muito senso de espaço. Enfim, estávamos nos ocupando de descobrir cada função da telinha com controle remoto - havia joguinhos e dezenas de filmes para escolher, pareciamos dois caipiras. Seguido o jantar, eu estava quase embarcando naquele sono bom quando trocamos de lugar para o Japa poder ver filme. O resultado foi que acabamos praticamente não dormindo o vôo todo. O Japa ficou acordado vendo filmes e eu irritada com o sujeito de trás.

Ainda assim curtimos a nossa saída do CDG e fomos reparando em tudo no ônibus: primeiro a vegetação, depois as placas diferentes, as fachadas bem trabalhadas e limpas... Saltando do önibus na Opéra ficamos um pouco desorientados, mas logo encontramos o hotel, que era um charme. Nosso primeiro passeio pelas ruas nos mostrou o efeito do feriado, quase tudo fechado, mas várias pessoas de várias culturas povoando os pontos turísticos. Poucos quarteirões andados e já haviamos sido abatidos pela fome e pelo cansaço de uma noite não dormida. Andávamos em círculos, não sabíamos o que comer e tinahmos preguiça de pegar o mapa - mas lutamos bravamente contra o efeito do fuso. Compramos sanduíches de queijo com presunto e um refrigerante horrível "Orangina" e sentamos na escadaria em frente ao que nos parecia ser uma igreja linda e comemos. Nem consegui chegar à metade da baguete. Logo depois voltamos andar a esmo, pensando que uma hora o Louvre apareceria.

Quando avistamos pela primeira vez a torre Eiffel ficamos paralizados. Ela estava longe, mas era ela por trás das árvores.
Pareciamos uns pobres coitados nos arrastando pelo jardin des Tuileries - estávamos exaustos. Depois de umas compras rápidas na epicérie da rua do hotel voltamos para o quarto - só conseguíamos pensar em dormir.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Sites úteis

Esta é uma lista de sites que usei.

Dicas de viagem:
Matador Trips
http://matadortrips.com/
Vagabondish
http://www.vagabondish.com/
18 essential items
http://matadorgoods.com/18-essential-items-for-a-trip-around-the-world/
How to Travel the World on $35 a Day: 100 Resources for Broke Globetrotters
http://www.airlinecreditcards.com/travelhacker/how-to-travel-the-world-on-35-a-day-100-resources-for-broke-globetrotters/
How To Travel In France For Less Than $100 A Day
http://matadortrips.com/how-to-travel-in-france-for-less-than-100-a-day/
1000 Places to See Before you die
http://www.1000beforeyoudie.com/Default.aspx
Wikitravel
http://wikitravel.org/pt/Europa
BUG – the Backpackers' Ultimate Guide to Europe
http://www.bugeurope.com/

Procurando passagens (ar, trilho, rodas):
Iberia
http://www.iberia.com/br/
Air France
http://www.airfrance.com.br/
TGV
http://www.tgv-europe.es/es
SNCF
http://www.voyages-sncf.com/
Ryanair
http://www.ryanair.com/site/PT/
European Discount Flights
http://www.euroflights.info/
Permissão Internacional para Dirigir
http://www.detran.rj.gov.br/_documento.asp?cod=4646
Average train travel times
http://www.eurail.com/eurail-train-travel-times
Eurolines (viajar de ônibus entre países da europa)
http://www.eurolines.fr/?lang=ENG

Procurando lugares para comer:
Le Fooding
http://www.lefooding.com/guide.htm
Smashed Travel
http://www.smashedtravel.com/barcelona/eat.htm
Gridskipper
http://gridskipper.com/60996/small-bites-in-paris#more

Procurando lugares para dormir:
EuroCheapo
http://www.eurocheapo.com
BVJ
http://www.bvjhotel.com/
Europe's Famous Hostels
http://www.famoushostels.com/
Aluguel de apê
http://www.parisianhome.com/ ou
http://www.lodgis.com

$ e burocracia:
Cotações
http://economia.uol.com.br/cotacoes/cambio.jhtm
Visa Travel Money
http://www.cartaovtm.com.br/
Visto
http://www.sairdobrasil.com/2007/12/08/visto-para-europa/
(Compre a passagem com o seu cartão visa pra economizar o seguro de viagens com duração de até 60 dias)
http://visa.com.br/conteudo.asp?pg=99

Escrevendo:
Dictionary
http://dictionary.reference.com/
Google Tradutor
http://translate.google.com/translate_t?hl=pt
Fazendo a mala:
The Universal Packing List
http://upl.codeq.info/

Fazendas e couches


Tivemos mais respostas do sul da França, simples o motivo que nos levou a essas fazendas. Escrevemos para umas 15 fazendas, sem seguir o menor critério em relação às regiões. Eu apenas lia muitas descrições e selecionava as mais espirituosas e bem humoradas.
A primeira fazenda a fechar foi a Ferme Musicale. Foi muita emoção... Ela fica em uma cidade chamada Elne, próxima a Perpignan, que é pertinho da fronteira com a Espanha. Neste momento, as cidades presentes em nossas discussões eram: Madri, Barcelona, Genebra, Amsterdã e Paris. Adicionamos Perpignan ao nosso roteiro. Logo vieram as confirmações de outras duas fazendas: Chateau de Padies e Aveyron, ambas próximas a Toulouse.


Todas as três anfitriãs que trocavam emails comigo deixavam em aberto as datas e eu tive uma pane momentânea na hora de definir o itinerário e comprar as passagens. Fui oprimida pelo tamanho do passo que representava fazer esse movimento - falei por alto os meses e respondi que enviaria as datas em fevereiro. Estabeleci 3 semanas na Ferme Musicale, 3 semanas em Padies e 2 semanas em Aveyron.

Sabíamos de uma coisa: o início da viagem seria na primavera deles. Pairava a dúvida de começar a viagem pela França ou pela Espanha. Acabamos optando por começar pela França, mais uma vez as circunstâncias trouxeram a decisão: a alfândega da Espanha estava rendendo várias reportagens e preferimos evitá-la.
Encontrei uma promoção da Air France depois de meses pesquisando preços de várias companhias. Não tinha mais como postergar. Como diria Elvis, "It's now or Never..." Na minha cabeça ecoava "Pronto! Agora eu vou mesmo".

Passagens compradas, com o rascunho do itinerário no Google Docs era hora de entrar em contato com os couches. Ainda não falei disso aqui.

Couchsurfing é uma comunidade global para aqueles que gostam de conhecer pessoas e culturas diversas. Pode ser uma grande mãozinha para mochileiros com pouco dinheiro, ou uma ferramenta de intercâmbio cultural para outros, para mim é simplesmente uma organização que valoriza a diversidade no mundo e não conhece fronteiras fundada por uns caras geniais.
"CouchSurfing seeks to internationally network people and places, create educational exchanges, raise collective consciousness, spread tolerance and facilitate cultural understanding."

Fiz uma pesquisa de perfis dos membros nas cidades a que iríamos. Já tinhamos o couch da Anaïs (hospedamos ela e o namorado em fevereiro) em Montpellier, cidade que foi adicionada ao roteiro logo que eles vieram ficar aqui uns dias. Logo conseguimos outros couches.

Inez é a minha tia suíça. Uma brasileira que mora em Genebra e já viu muita coisa nesse mundo. Ouvir as histórias da vida dela sempre foi uma grande fonte de inspiração para mim. Não quero deixar de visitá-la nessa viagem: conhecer a famosa Laundrenet , cair lá pelo sofá dela uns dias e receber a acolhida de um casal bárbaro! Ainda estamos esquadrinhando nosso orçamento e acessando as promoções do TGV com frenquência.

Depois vieram as contas. $ para alimentação por dia, $$ para estada em Paris, $$$ para as passagens de TGV... Os cifrões só iam aumentando e a idéia de ir para Amsterdã foi a primeira a entrar na faca. Ficava muito caro ir comer um space cake.

Mais perto da data da partida, algumas coisas surgiam em nosso favor. O euro baixava um pouco, o couchsurfing barateava a nossa viagem - justo no momento em que o nosso orçamento se revelava um pouco aquém dos gastos que teríamos. Por fim, foi confirmada a licença de 2 meses do Guilherme do trabalho. Esse Japa conseguiu a façanha de arrumar, junto à empresa em que ele trabalha, uma licença que foi muito festejada (do contrário, teria que pedir demissão porque só poderia tirar 1 mês de férias). Fiquei muito orgulhosa e ambos ficamos mais leves.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Making of

Essa viagem surgiu como uma idéia qualquer de um casal, há um ano juntos: viajar. A mulher diz que quer ir para a europa e o rapaz dá outras idéias, os dois ficam na dúvida. Passa uma semana, o assunto volta e a mulher já chega com vinte mil idéias do que fazer, onde ficar e como a viagem deles para a europa vai ser a mais perfeita do mundo.
Pode não ter sido tão exatamente isso, mas como 'eu me conheço...', a idéia geral que acabou ficando nas primeiras folhas de diário mental daquelas conversas com o Japa foi essa.

No plano inicial, faríamos uma viagem básica para conhecer cidades famosas da europa na França, Espanha, Holanda e Suíça. Uma viagem de 20 dias. Depois 22. E a lista de países ia aumentando... Afinal de contas, "tá tudo ali pertinho!" - o planejamento era sempre motivo de gargalhadas a dois em frente ao GoogleMaps. "Paris-Praga-Viena-Veneza-Florença-Pisa-Genova-Nice-Montpellier-Barcelona-Madri-Paris, fechou?" "Em 23 dias?" é motivo de muito riso agora. Mas também dá água na boca.

Os cortes aos poucos trouxeram o nosso planejamento para o plano da realidade. Eis que então algo acontece! Eu, na minha incessante pesquisa através dos famosos sites Delicious, StumbleUpon, Digg e da entidade-mor-santidade-suprema Google, me deparo com o site que fez descer a singular luz da clareza das coisas do mundo sobre mim:
"8 Tools to Help You Travel Forever and Live Rent Free".

Divertidíssima a idéia do site, bem desapegada dos compromissos que regem a nossa vida quando se está nos 20 e muitos anos. Emprego, carreira, previdência, carro, casa própria não é vida decente para alguns. Há aqueles que remam contra a maré da segurança e da estabilidade e vivem um dia de cada vez, vários perrêngues ao mesmo tempo - e são felizes.
Ai de mim pensar que um dia eles possam precisar de economias para fazer uma ponte de safena no coração que não aguenta mais de tantas emoções intensas das suas invejáveis aventuras mundo afora.

Deboches à parte, ruminei as dicas que encontrei no blog, especialmente a parte que diz respeito a Woofing. Pensar que existem proprietários de fazendas ao redor de todo o mundo que me receberiam, me dariam comida e hospedagem de graça em troca de algumas horas de trabalho por dia - fim-de-semana livre! - me deixou siderada.
Depois de me certificar, através dos site da organização em cada país, que isso não era furada, escolhi um país - a França - e parti para a investigação do que tinha nessas fazendas de trabalho para se fazer. Muita coisa chata como catar erva-daninha e participar das atividades diárias da casa, como a limpeza. Mas outras coisas como aprender a fazer queijos, fazer compostagem, catar cogumelos, fazer chutney, andar de bicicleta no fim do dia pelo interior, aprender técnicas de plantio orgânico e conhecer modos de vida alternativos e auto-suficientes encheram meus olhos. Ademais, eu estaria imersa na cultura do berço da civilização ocidental, trabalhando e compartilhando a rotina diária com pessoas que vêem a vida de uma maneira muito diferente da minha. A palavra "riqueza" serve para descrever tudo isso aí em cima no meu dicionário.

Convencer o Japa foi uma tarefa árdua, mas penso que o espírito aventureiro e romântico dele falou mais alto no fim das contas. Assim nossa viagem, ainda na tela do GoogleMaps, estendeu-se de 20 dias para 3 meses. "O momento de fazer uma viagem longa é agora".

Começamos o planejamento todo pela escolha do país da fazenda!
A Wwoof França foi a escolhida entre Espanha, Suíça, Holanda e Itália por parecer mais organizada e, sobretudo, porque distinguia-se em prol do intercâmbio cultural. Fizemos a associação e tinhamos 400 descrições de fazendas em umas 20 regiões diferentes para ler. Algumas em inglês, outras em francês... Descobri que meu francês de ensino fundamental aliado ao Google Tradutor me tornava fluente na língua.

Depois de uma exaustiva seleção, muitos emails enviados, muito que ficaram sem resposta, em dezembro de 2008 tinhamos 3 fazendas no sul da França, cada uma com seus atrativos e peculiaridades, esperando por nós.
Nossa viagem tomava forma.