segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fabuloso D'orsay

Estava muito frio à noite, dormimos juntinhos sem nos mexer muito. Por onde andará a primavera...? A manhã das pobres mães era dura. As crianças acordavam cedo, chorando. A filha menor da Maria estava com os dentes nascendo e tinha sempre algo a caminho da boca. Eu e Guilherme tentávamos dormir, exaustos, no safá da sala. Acordei me sentindo muito melhor, talvez o chá de camomila aliado àquela atmosfera estrogenicamente maternal acalmaram o meu intestino.
A Maria foi muito atenciosa conosco. Foi muito bom estar em um ambiente informal, bem família. Acabamos levantando tarde mas conseguimos entrar no Panthéon desta vez. Lá dentro vimos como foi comprovada a rotação da Terra, através de um pêndulo preso em uma cúpula enorme. Esse foi mais um lugar de que gostamos bastante. Descobrimos que ele foi construído em homenagem à santa Geneviève, padroeira da cidade. Reza a lenda que o poder das preces a essa santa poderosa impediu a invasão de Átila, rei dos hunos.

Depois de nos perdermos e andarmos um grande "S" para chegar em uma rua bem perto, almoçamos em um restaurante na Rue Mouffertard. Eu comi sopa de legumes felicíssima. Estava começando a ficar bem rabugenta por não poder comer todas as coisas gostosas, fiquei louca quando vi uma barraca com um crepe de nutela. Acho que eu consigo sentir o cheiro até agora, se eu me concentrar um pouco. Guilherme tomou cerveja no almoço - muitas situações aqui passavam a revelar um outro Guilherme. Ele escolheu as opções de entrada, prato principal e sobremesa sozinho, não pediu ajuda. Olhando calada, eu achava que ele tinha tanto critério quanto uma roleta russa. Mas o rapaz leva jeito, gostei de ver ele provando de tudo. Estou babando com tudo que ele faz, a forma como ele se comunica bem e entende o ingles - nossa língua oficial no couch.
Adorei a rua, cheia de opções para se comer bem sem gastar uma fortuna. Acho que pagamos 9 euros cada pelo almoço. No total a conta deu uns 24 euros acho. Pegamos mais uma vez o metrô e atravessamos uma ponte sobre o Sena em direção ao museu D'orsay. Uma grande fila do lado de fora, rimos de várias figuras. Além de bonito por fora, o museu é bem legal por dentro e tiramos várias fotos de quadros impressionantes. Muito bom poder ver bem de pertinho, depois lá de longe, quantas vezes queríamos. Guilherme adorou um chamado "Raboteurs de parquet" e nós dois conversamos, com o desprendimento dos leigos, sobre a luz nesta obra. Muitos quadros impressionantes...









Rimos e nos surpreendemos muito com alguns Van Goghs, ficamos com as pernas duras de tanto andar, descansamos, andamos mais e o museu fechou. Já estávamos cansados demais, às vezes rolava uma baixa no bom humor. Não sabíamos se comíamos algo em um restaurante ou se voltávamos para o couch. Decidimos de última hora dar uma passada no Arco do triunfo. Chegando lá havia uma banda militar tocando, Guilherme queria que eles mudassem a música um pouco: "Toca Rauul!!". Pouco depois já estávamos correndo para pegar o Monoprix aberto. Comprei uns yakults pra mim, sentia que estava começando a melhorar. Jantamos junto com todos lá na casa da Maria e do Julius, conversamos bastante e ouvimos uma verdadeira palestra sobre o tema "o que é Parir". Muito instrutiva a história do parto da primeira filha contada pelo Julius. Ele tem um senso de humor bacana, contava a de um jeito tranquilo vários percalços engraçados da vinda da Simone ao mundo. As duas mães eram ambas contra cesariana, então as duas tinham histórias fantásticas sobre como foi ficar em trabalho de parto e tudo o mais. Acho que eu e Guilherme não falamos uma palavra, a gente nem se olhava muito.

6 comentários:

  1. Adoro ler o que escreve...a saudade de Paris aumenta e nem vejo a hora de poder viajar novamente...
    Amiga que pena esta intoxicação alimentar. Estou torcendo para passar logo, ok?!

    Beijo

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Amei o post!
    Que bom que vcs estão se divertindo e que a intoxicação está aos poucos indo embora!
    Divirtam-se e aguardo fotos da fazendaaaa!
    Quando voltar, Guilherme vai largar os computadores e vai ajudar Louise a montar os cardápios! hehehe
    SAUDADE de vocês dois!
    Beijos, beijos, beijos...
    Pri

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  4. feliz 120 da torre eiffel!

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  5. Guilherme está se revelando um novo homem ou uma nova moça? hahaha
    É isso ae, China. To gostando de ver a atitude.
    As fotos estão ótimas e a viagem parece estar bem divertida. Estou só esperando as histórias das fazendas...
    Beijos para vocês!!!

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