sexta-feira, 5 de junho de 2009

Paredes vazias

Era um sábado e acordamos com calma tomamos café arrumamos as nossas coisas que haviam sido lavadas na máquina.  Algumas peças foram para a secadora, mas é incrível como um simples varal dentro de casa seca as roupas em algumas horas neste clima. A Candy, sempre tão gentil, ajudava a gente a cada etapa, chegou até a estender umas peças depois quando já havíamos saído para o Louvre. Passamos em uma padaria um pouco antes do horário do almoço, compramos 2 sanduíches, 1 schweps de frutas cítricas e 2 sobremesas (1 torta com creme maravilhosa e 1 pão de passas que acabamos não comendo). No amplo pátio do Louvre, sentamos junto ao chafariz da pirâmide e fizemos nosso piquenique. Olhando através do vidro da pirâmide, que estava bem do nosso lado, víamos as pessoas lá embaixo, andando pelo hall interno do Louvre. Dentro de poucos minutos estariamos lá dentro, procurando o pavilhão que correspondia ao início do roteiro dos pontos mais importantes que eu havia xerocado de uma das minhas revistas de viagem. Compramos os tickets de entrada, que eram apresentados na entrada dos pavilhões. Depois de subir e descer poucos lances já não tinha a menor noção de onde estava, mesmo olhando para o outro mapa que peguei na entrada. Tentei entender os diversos níveis de um mesmo pavilhão que mostrava o mapa, então, quando pensei estar localizada, fui confirmar com um funcionário e me descobri perdida. O Japa tomou a frente e passou o dia me guiando pelas salas. Arrumei um personal-Louvre-guide! Guilherme sabia direitinho para onde ir e depois de ver as obras olhava pra ele e dizia toda satisfeita "Pra onde agora?! Obaaa!" Cada sala que entrávamos era impressionante pela arquitetura, o pé direito alto, sancas, paredes trabalhadas, até verdadeiras obras de arte no teto. Já havia ouvido falar da dimensão do museu, que seria impossível ver tudo em um só dia, mas que o teto e as paredes tomariam o meu tempo lá dentro eu não sabia. Era certo que não pretendíamos ver tudo, já estávamos com o planejamento fechado e não sentimos a menor necessidade de sair do tal roteiro, que, aliado ao mapa que pegamos lá dentro, descrevia uma visita maravilhosa, com diversas obras famosas. Novamente minha nuvem negra do azar se manifestou. Pelo menos uns 4 quadros famosos haviam sido retirado para manutenção ou pesquisa, não sei bem. O fato é que a cada momento que chegávamos à sala em que o quadro estaria encontrávamos a parede vazia, o nome do quadro embaixo e um aviso ao lado dizendo que ele havia sido retirado por algum motivo. Andávamos quilômetros para chegar até o quadro e nada. Era irritante. Acabamos saindo do Louvre decepcionados. Mas nos divertimos.  Tiramos foto da multidão que foi ver a Mona Lisa - o tanto de gente acaba virando o espetáculo principal e o quadrinho pequenino da La Gioconda fica meio ofuscado de frente para a folia exuberante de flashes. Esse é o metro quadrado mais deselegante de Paris, as pessoas ficam sideradas para arrumar um espaço lá na frente. Mas, no fim, acho que aqueles que tem um pouquinho de determinação conseguem chegar de frente para a obra depois de esperar uns cinco minutinhos pacientemente em uma espécie de fila onde se deve ficar esperto para qualquer brecha surgida.
Muitos quadros e esculturas depois estávamos com dor nos pés e pernas."Vamos embora?" o Japa falou. Desde o princípio da viagem tinhamos um acordo silencioso de não forçar nenhuma barra para "aproveitar a viagem", afinal, lazer é pra ser feito relaxando... Bom, nem sempre era possível, eu reconheço que fiquei extremamente ansiosa em Paris, mas, enfim, a essa altura nossa estada já começava a tomar uma forma de viagem e por isso os ânimos estavam mais calmos.
Mas quando pensávamos que íamos embora começamos a ver a parte do Egito. Não foi uma coisa muito programada, tudo ia surgindo à nossa frente e a gente ia sempre em frente, que nem gado. Esculturas de farós, múmias, sarcófagos e eu, impressionada mas exausta, tirava 3 fotos a cada 5 metros. No meu íntimo, a estratégia era tirar fotos para ver todo aquele espetáculo depois, sentada na frente do computador, porque àquela altura a minha mente não conseguia mais processar tantas imagens, tantas informações... Penso que acabamos saindo umas 2 horas depois.
À noite, mais um jantar memorável - a Candy havia feito crepes. Eles tinham uma pequena chapa que eles colocaram ao lado da mesa e o jantar funcionava da seguinte forma: cada um pegava a sua massa de crepe e escolhia o que iria colocar dentro, depois dobrava e colocava em cima da chapa. Em dois minutinhos já estava comendo o crepe. Comemos muito queijo de cabra, gruyère, abobrinha grelhada, champignon, humm... Depois vieram os crepes doces e eu me refastelei de crepe de nutella, rs. Deixamos tudo pronto para a viagem na manhà seguinte, eu estava muito animada para andar de TGV, rumo a Montpellier!

4 comentários:

  1. Maria Clara & Japa!!
    Vcs estão de parabéns! Titia tá toda boba por vcs!! Cada lugar que vejo aqui fico arrepiada! Que fantástica esta viagem!! Continuem aproveitando e aprendendo muito! Vai se pro resto da vida!! Inesquecível!!
    Muitos bjs!
    Tati.

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  2. as fotos do ultimo post nao deu pra ampliar. adriel

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  3. Quando as paredes estão vazias, a melhor opção é correr pelo museu de uma ponta à outra, como Matthew, Isabelle e Theo em "Os Sonhadores"!

    ;)

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  4. Mesmo faltando algumas obras acredito que tenha sido uma experiência sensacional e inesquecível. Beijos,

    Thiago

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