Conforme combinado ao telefone, a Ursula nos buscou na estação de Elne, uma cidadezinha próxima a Perpignan. Era umas quatros da tarde e, durante os minutos que passamos esperando, nos perguntamos se estávamos no lugar certo, ainda não haviamos visto uma estação de trem tão minúscula na nossa viagem. A sensação era de deserto total, ausência de vida humana ao redor. Nem nos atrevemos andar pelos arredores, achávamos que só veríamos estrada.
Chegamos com aquelas nossas malas obcenas e eu tentei até fazer uma piada, mas era irreparável. No carro com a Ursula, rumo à Ferme Musicale, conversávamos pouco mas o clima era bem simpático. Olhamos pela janela. Nos vimos em um lugar completamente desconhecido, cheio de árvores e plantações - entre as quais passaríamos as próximas três semanas trabalhando.
Assim que chegamos vimos uma casa bem simpática, instrumentos de percussão e cabaças decorando a varanda e um cachorro preto alegre vindo na nossa direção. Bugie (nem idéia de como se escreve) era o nome da cadela, muito carinhosa.
Tiramos as malas do carro e não sabíamos para onde ir, mas a Ursula explicou que nós veriamos o nosso quarto depois, porque o seu marido, Vincent, estava descansando naquele momento e faríamos muito barulho dentro da casa se entrássemos no sótão agora. Só depois descobriríamos que de manhã teríamos que andar na ponta do pé, com passadas longas para evitar a madeira do chão do quarto de ranger e fazer um estardalhaço na casa.
Antes de compreendermos direito a disposição das coisas naquele novo ambiente a anfitriã perguntou, sorridente, se gostaríamos de fazer alguma coisa ou se apenas descansaríamos naquele dia.
Desorientados, pedimos para ela nos mostrar alguma coisa, já era estranho o suficiente estar parado em um lugar desconhecido. Deixamos as malas no chão de terra mesmo, em frente à casa..
Nos afastando da casa, ela nos mostrou o banheiro e um pequeno vestiário com chuveiro que utilizaríamos, duas portas brancas de pvc lado a lado em uma construção isolada da casa.
Em menos de 5 minutos após a nossa chegada estávamos naquele lugar nada urbano já estávamos no meio dos pessegueiros tirando um monte de pêssegos ainda verdes dos galhos.
Tudo foi ensinado ali na prática, imitávamos o que ela fazia no início e depois fomos entendendo melhor, transpondo a barreira linguística, que estávamos criando espaço entre os pêssegos, que nasciam muito juntos. Além disso, era necessário retirá-los para que quando eles crescessem não quebrassem os galhos com o peso. Eles iriam dobrar de tamanho ainda.
Nos primeiros dias não tivemos a menor noção do tamanho do lugar onde estávamos. Era engraçado olhar ao redor e às vezes não lembrar para onde ficava a casa. Não que a fazenda fosse grande - para as dimensões brasileiras, estávamos em um sitiozinho - mas porque estávamos totalmente fora do nosso ambiente.
Passávamos umas horas fazendo uma atividade em um só lugar, então perdíamos toda a referência de tempo e espaço. Quando voltávamos a expandir o nosso olhar para o contexto em que estávamos inseridos ficávamos desorientados por um breve momento. Quando comparávamos com a nossa rotina no Brasil, era de gargalhar.
trabaaaaalha japa!! era feliz e nao sabia hein!! aHAEUahuah mto boa essa viagem. continuem curtindo
ResponderExcluirhahahaha, sacanagem adriel!!!
ResponderExcluirMas eu prefiro catar pessegos na europa do que enfrentar essa loucura de transito todos os dias aqui no Rio.
:-)
eh pq vc nao trabalha em niteroi, thiago!! rs
ResponderExcluirzuando, logico q é bem melhor msm (pelo menos por um tempo...)
=))
Olá! Estou super sem tempo para comentar os post de vocês, mas tenho acompanhado tudo, sempre q sobra um tempinho!
ResponderExcluirCacá, amei a foto de vc de lencinho vermelho na cabeça no meio das folhas...!
APROVEITEM bastante!
Beijos, beijos, beijos...
Pri
nao tem coisa pior que uma casa com piso de madeira e ainda mais frouxo!! passei por isso nas 2 viagens que fiz. a sensação eh de que alguem vai levantar no meio da noite com uma espingarda pra matar quem tah fazendo aquele barulho maldito!!! hAAHUeiaahia mto bom relembrar esses perrengues
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ResponderExcluirFELIZ ANIVERSÁRIO, Guilherme!
ResponderExcluirBeijos e muita saudade!
Pri e Thiago