quarta-feira, 27 de maio de 2009

"Minha neguinha..!"

Hoje foi o dia em que tiramos muitas fotos, nenhuma da minha trancinha, foi mal... Trezentos e cinquenta e três para ser exata. Estamos usando um modo da camera que tira fotos em sequencia durante todo o tempo em que se pressiona o botão. Assim temos muitas fotos quase iguais, mas também há outras em que apenas uma sai boa. Acordamos, tomamos café com a Candy e o François.
Desfiz a trança e a Renata Sorrah estava olhando pra mim no espelho.
Saímos umas 9 horas, o François estava indo trabalhar, de terno, e nos mostrou onde ficava o metrô mais próximo. Eu, com a minha cabeleira frisada, estava engraçadíssima - mas, no fim das contas, em Paris, eu era só mais uma no meio da multidão de gente estranha.
Fomos em direção ao museu Rodin, estava um dia lindo. Esse é um dos lugares preferidos do Nelson - grande amigo da minha mãe e de toda a minha família - então segui a indicação dele de ir conhecer o museu em um dia de sol. Nos demos conta de que não comemos muito, paramos para um rápido croque-monsieur.
Andamos sem pressa vendo as estátuas que ficam no exterior do museu. Realmente o jardim é uma delícia, um charme. Havia um casal de uns 70 anos fazendo tai chi bem no fundo do jardim, num lugar cheio de sombras e com umas espreguiçadeiras, dava vontade de ficar lá o dia inteiro. Tudo em excelente estado, muito bem cuidado, grama aparadinha. Guilherme me apressava, dizendo que tínhamos muita coisa para fazer.
Pois é. Nos demos conta de que tínhamos só 2 dias para o restante: Louvre, passeio de barco à noite, Palácio de Versailles, Pompidou, vários jardins, Promenade Planté, mercado de pulgas, Arco do Triunfo de novo, Place des Vosges etc. Visitar Paris pela primeira vez é uma lista de compromissos! Você começa a pensar que já está lá e não pode deixar de ver a coisa tal, fazer não-sei-o-quê...
Meio estressante, eu pensava "Não quero isso pra mim... Estou em Paris... Quero relaxar!" Me resignei e comecei a fazer uma lista mental de prioridades. Não estava fácil.
No jardim, com as esculturas eu e Guilherme fazíamos poses e nos divertiamos inventando um contexto para cada uma.













Entramos no museu, vimos o pensador, dentro do museu e Guilherme fazia as posições mais estranhas. "É o reflexo! Muita luz!" E o chão rangia enquanto víamos algumas dezenas de esculturas lindas.
Bateu a fome, fomos para a Rue du Bac e comemos em uma padaria maravilhosa, depois descobriríamos que ela fazia parte de uma rede de padarias, de repente franquias. Fomos atendidos, eu pedia as coisas hesitando em francês, torcendo para não encontrar nenhuma surpresa desagradável dentro do recheio dos sanduíches.

Depois que fizemos todo o diálogo necessário o atendente, simpático, perguntou de onde éramos. Brasil. Ah, vocês podem falar em português se quiserem! - o cara, com uma cara de francês danada, falava um pouco de português. Bom, infelizmente para mim nessa hora restava apenas pagar e dizer tchau. Compramos sanduíches, doces, bolinhos maravilhosos. Na sacola havia financiers (bolinhos) e tuilles almondes (biscoitinhos fininhos com amêndoas). hmmmm

Saímos de lá rumo às Catacombes, um lugar cheio de ossos de pessoas que morreram em diferentes anos e locais de Paris. Não lembro direito, acho que esses ossos foram remanejados de cemitérios inteiros que foram descobertos. O fato é que eles foram arrumados em túneis embaixo da cidade de um jeito meio artístico, formando padrões. Uma coisa, digamos, peculiar. Meio sinistro. Nos últimos dias eu havia pensado sozinha em desistir de ir, mas quando lancei a hipótese vagamente ao Japa ele disse logo que não deixariamos de ir. Fiquei na minha.
Então estávamos lá descendo dezenas de degraus. Em cima, o maior sol, calor, embaixo, escuro, frio e úmido, com goteiras no teto. Andamos muito até chegar nas primeiras ossadas, os túneis são bem legais e eu que estava com medo do cheiro lá de baixo, achei que foi um passeio bem tranquilo, apesar de bizarro.
Passamos no Trocadero no final do dia para ver a vista, tirar fotos, coisa e tal.
Então percebemos que havia algo estranho acontecendo... A parte bem de frente para a torre estava interditado por uns policiais (tem um na foto, bem atras da gente). Vimos la embaixo bombeiros e dois rapazes, um deles de roller, aqueles patins. Tudo indicava que alguém havia caído lá de cima.
O cansaço bateu e encontramos um banquinho num lugar privilegiado...
Quando voltamos, no horário que marcamos com a Candy e o François, descobrimos que ele próprio iria cozinhar aquela noite. Ficamos bem animados de saber que ele faria um prato típico da França. Fomos com ele no açougue comprar a linguiça, cada experiência com os nossos anfitriões era para nós uma descoberta toda especial. O François, muito atencioso, sempre falava alguma coisa divertida e explicava tudo. Muitas vezes ele e Guilherme descobriam algum assunto juntos e eu ficava só olhando, toda feliz de ver o Japa cheio de conversa (em inglês!!). no açougue eu achei tudo meio estranho, vi umas linguiças pretas gordas... Uns pedaços de carne que pareciam estar ali há semanas. Fiquei meio preocupada, mas logo o François apontou para a linguiça do prato que ele ia fazer, esperando a gente dar o OK. Tranquilo. Comemos um Aligot, tipo um purê de batatas com queijo misturado. Não sei se era gruyére. Um pedaço de uma linguiça deliciosa acompanhando. O Aligot, quando ainda na panela, ficava num ponto que, levantando a colher de pau cheia da mistura bem no alto, ela não se desligava do restante da massa dentro da panela. Muito bonito de ver. De comer então.... O Japa se amarrou e repetiu umas duas vezes. Jantando, falamos de tudo que ainda queriamos ver em Paris para nossos anfitriões. Mas depois que ouvi a Candy falar que algumas coisas deviam ficar para a próxima vez, me acalmei. Sim, claro, haverá uma próxima vez. Tinha esquecido que podia isso. A Candy disse que iria a Versailles sábado e se quiséssemos poderia nos dar uma carona de carro! Achei o máximo! No meio desse rompante de clareza e organização, fizemos contas e vimos que já haviamos gastado demais (comíamos o dinheiro todo). A maioria das nossas roupas estava suja, pedimos para a Candy para usarmos a máquina de lavar dela no dia seguinte. Diversos assuntos nesse jantar. Bebíamos um vinho que eu e Guilherme compramos e que combinava com o prato. Tudo foi perfeito, a companhia deste casal é simplesmente maravilhosa, eles são divertidíssimos, sentimos que demos uma sorte incrível de conhecê-los. Estar hospedado foi infinitamente melhor do que estar em um hotel. Um assunto recorrentes em ambos os couches eram histórias engraçadas de americanos. O François contou uma sobre uns conhecidos que ficaram deslumbrados com uma igreja que havia sido construída antes da "America" ter sido descoberta. O casal francês ficou sem graça de dizer o tanto de história que já havia acontecido no continente deles antes disso e resolveu nem comentar nada das outras igrejas bem mais antigas do que aquela. Hilário.

4 comentários:

  1. Fico sempre anciosa por notícias, me delicio qd vc atualiza...E as trancinhas, já voltou ao normal? senão, escova nele..srsrrsr
    As fotos estão cada vez melhores, quase pude saborear a torta, não é uma delicia? hummmm!!Bizarro os ossos...acho q não iria..srsrrs
    E sempre bom encontrar pessoas do bem..
    bjs, bjs

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  2. Vc ficou ótima de Renata Sorrah! rs
    Nossa, acho q deve ser bastante mórbido visitar essas catacombes... Uma vez eu assisti um documentário sobre elas na Discovery... Muito bizarro...!
    Estou ansiosa para ver as fotos do Palácio de Versailles! ;-)
    Saudades!
    Beijos, beijos, beijos...
    Pri

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  3. Nossa, Cacá, vc vai escrever um livro!!! Seu blog está maravilhoso, vc escreve e fotografa super bem!!! Estou amando ler seus posts, quase todo dia entro para ver se tem algo novo!! Estou ficando viciada nisso aki! rsrsrsrsrsrs
    Gostei do seu cabelo cabelo frisadinho!! Eu pensei que fosse apenas uma trancinha, mas do jeito q seu cabelo ficou foram várias, né??? Sua vaquinha... QUERO FOTOS DA(S) TRANCINHA(S)!!! =P
    O Museu Rodin deve ser um espetáculo!! Eu sou apaixonada por uma escultura chamada "O Beijo"! Guardo com carinho até hoje as fotos da exposição que houve aqui no Rio! O "tio" da foto, que estava no jardim do museu, conseguiu explicar o que vc queria??? rsrsrsrsrsrs Muito divertida essa foto! Adorei ver a interação de vcs com as estátuas! hehehehhe
    Ah!, muito maneiro ver as caveirinhas!!! Ainda bem q o Gui não deixou vc cometer a insanidade de deixar de ver um lugar tão "bonito"! rrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
    Já escrevi demais!!! Vou parar por aki, senão vou querer comentar foto a foto!! =DD
    Beijos mil!

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  4. A viagem deve estar super maneira, aliás, já devem ter passado na casa e na fazenda de meia Europa. rs
    As fotos estão bem bacanas, principalmente com as esculturas, lembrei da foto que tiramos em arraial com aquela estátua no banquinho.
    Como assim que vcs cogitaram não ir as catacumbas, que irado! rs
    Beijos para vcs, meninos!

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